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Notas RV 1995 - Comentário da Versão Reina Valera
Daniel 1

1. No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou.

2. E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos utensílios da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e pós os utensílios na casa do tesouro do seu deus.

3. E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes,

4. Jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus.

5. E o rei lhes determinou a porção diária, das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, para que no fim destes pudessem estar diante do rei.

6. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias;

7. E o chefe dos eunucos lhes pós outros nomes, a saber: a Daniel pós o de Beltessazar, e a Hananias o de Sadraque, e a Misael o de Mesaque, e a Azarias o de Abednego.

8. E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar.

9. Ora, Deus fez com que Daniel achasse graça e misericórdia diante do chefe dos eunucos.

10. E disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a vossa comida e a vossa bebida; pois por que veria ele os vossos rostos mais tristes do que os dos outros jovens da vossa idade? Assim porias em perigo a minha cabeça para com o rei.

11. Então disse Daniel ao despenseiro a quem o chefe dos eunucos havia constituído sobre Daniel, Hananias, Misael e Azarias:

12. Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias, e que se nos dêem legumes a comer, e água a beber.

13. Então se examine diante de ti a nossa aparência, e a aparência dos jovens que comem a porção das iguarias do rei; e, conforme vires, procederás para com os teus servos.

14. E ele consentiu isto, e os experimentou dez dias.

15. E, ao fim dos dez dias, apareceram os seus semblantes melhores, e eles estavam mais gordos de carne do que todos os jovens que comiam das iguarias do rei.

16. Assim o despenseiro tirou-lhes a porção das iguarias, e o vinho de que deviam beber, e lhes dava legumes.

17. Quanto a estes quatro jovens, Deus lhes deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e sabedoria; mas a Daniel deu entendimento em toda a visão e sonhos.

18. E ao fim dos dias, em que o rei tinha falado que os trouxessem, o chefe dos eunucos os trouxe diante de Nabucodonosor.

19. E o rei falou com eles; e entre todos eles não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; portanto ficaram assistindo diante do rei.

20. E em toda a matéria de sabedoria e de discernimento, sobre o que o rei lhes perguntou, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos astrólogos que havia em todo o seu reino.

21. E Daniel permaneceu até ao primeiro ano do rei Ciro.

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Daniel 1

Notas do Capítulo: [1] 1.1-21 Este primeiro cap. apresenta aos personagens que vão protagonizar os episódios relatados nos caps. seguintes e os propõe como modelos de fidelidade ao Deus do Israel. Na corte real de Babilônia (quer dizer, em um ambiente completamente pagão), Daniel e seus companheiros de exílio decidem não manchar-se comendo mantimentos que a lei do Moisés declarava impuros, e Deus, em recompensa, concede-lhes uma saúde excelente (V. 15) e uma sabedoria superior a dos magos e adivinhos do rei (V. 17,20). O relato faz ver como o Senhor protege aos que se mantêm fiéis a ele até em circunstâncias adversas. Cf. Dn 3.19-30. [2] 1.1 Esta data corresponde ao ano 606 a.C., já que Joacim começou a reinar no ano 609 (cf. 2 Rs 23.36--24.6). [3] 1.1 As fontes históricas extrabíblicas mostram que no ano 606 a.C. ainda vivia Nabopolasar, o pai do Nabucodonosor. portanto, este não era ainda rei de Babilônia a não ser somente príncipe herdeiro e chefe supremo do exército (isto último por causa da velhice e enfermidade de seu pai). Sua ascensão ao trono real se produziu mais tarde, no ano 605 a.C., quando a vitória do Carquemis assegurou aos babilonios a dominação sobre Síria e Palestina. Cf. Jr 46.2, onde também dá ao Nabucodonosor o título de rei antes de que o fora plenamente. [4] 1.2 O texto hebreu se refere a Babilônia com o nome do Sinar, quão mesmo no relato da torre de Babel. Vejam-se Gn 11.2 N. e Índice de mapas. [5] 1.1-2 Comparem-se estes V. com 2 Rs 24.1; 2 Cr 36.6-7. A menção dos utensílios sagrados levados a Babilônia prepara o relato do banquete do Belsasar (Dn 5.2-3). [6] 1.3 Chefe de seus eunucos: outra tradução: Chefe do serviço de palácio. Veja-se Jr 29.1-2 nota B. [7] 1.3-4 Os jovens deviam receber uma educação especial, que os capacitava para exercer as funções de magos e adivinhos do rei (cf. Dn 2.2-4). Para isso tinham que conhecer a língua e as letras , quer dizer, a literatura dos caldeos, especialmente os textos antigos relativos à magia, a astrologia e a adivinhação. [8] 1.4 Os caldeos: Este vocábulo designava originariamente uma tribo do sul de Babilônia que ao fim chegou a dominar todo o país, e da que procedia a dinastia do Nabucodonosor (veja-se Gn 11.28 N.; cf. Dn 5.30; 9.1). Mas mais tarde, quando os astrólogos e adivinhos de Babilônia se fizeram famosos por toda parte, o término se utilizou freqüentemente para designar também aos magos e às pessoas iniciadas nas ciências ocultas. Cf. Dn 2.4,10; 4.7; 5.7,11. [9] 1.7 A mudança de nome se interpretava no antigo Oriente como uma afirmação de domínio (cf. Gn 2.19-20; 41.45; 2 Rs 23.34; 24.17). [10] 1.7 Beltsasar parece ser a transcrição de um nome babilônico que significa ele protege sua vida, dando por subentendido que o sujeito da frase é um deus como Bel ou Marduc. Abed-nego parece ser uma deformação do nome aramaico Abed Nabu, que significa servo do Nabu. O significado dos nomes Sadrac e Mesac ainda não pôde determinar-se. A respeito dos deuses Marduc, Bel e Nabú, vejam-se Gn 1.21 N.; Is 46.1 notas a, b e c ; Jr 50.2 nota d. [11] 1.8 Esta decisão se deve a que a comida que se servia na mesa do rei podia estar preparada com a carne de animais impuros (cf. Lv 11; Dt 14.3-21), ou que não tinham sido sangrados de acordo com as prescrições rituais (cf. Dt 12.23-24). Além disso, os jovens não queriam expor-se ao perigo de comer mantimentos ou de beber vinho que possivelmente antes tinham sido oferecidos aos ídolos (cf. Dt 32.38; 1 CO 10.21). [12] 1.17 A interpretação dos sonhos tinha grande importância no antigo Oriente, porque os consideravam um meio para entrar em contato com a divindade. A Bíblia, por sua parte, mostra que Deus pode valer-se ocasionalmente deles para revelar sua vontade e seus intuitos (Nm 12.6; 2 Rss 3.5; Jl 2.28; MT 1.20; 2.12), mas não deixa de advertir contra os sonhos enganosos e puramente ilusórios (veja-se Jr 23.25 N., e cf. Zc 10.2). [13] 1.21 O primeiro ano do rei Ciro: quer dizer, o ano 538 a.C. (cf. Ed 1.1). Isto não quer dizer que Daniel morreu nessa data, já que no terceiro ano do Ciro está ainda em plena atividade (Dn 10.1). O texto dá a entender, mas bem, que ele ainda se achava na corte real de Babilônia quando este império passou à mãos dos persas. Veja-se Is 41.2 N.





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