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João 8 - João Ferreira de Almeida Atualizada

A mulher adúltera

1. Mas Jesus foi para o Monte das Oliveiras.

2. Pela manhã cedo voltou ao templo, e todo o povo vinha ter com ele; e Jesus, sentando-se o ensinava.

3. Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio,

4. disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.

5. Ora, Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

6. Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo.

7. Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse- lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra.

8. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.

9. Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé.

10. Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?

11. Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.]

Discurso de Jesus sobre a sua missão

12. Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida.

13. Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu dás testemunho de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro.

14. Respondeu-lhes Jesus: Ainda que eu dou testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro; porque sei donde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou.

15. Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo.

16. E, mesmo que eu julgue, o meu juízo é verdadeiro; porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou.

17. Ora, na vossa lei está escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro.

18. Sou eu que dou testemunho de mim mesmo, e o Pai que me enviou, também dá testemunho de mim.

19. Perguntavam-lhe, pois: Onde está teu pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai.

20. Essas palavras proferiu Jesus no lugar do tesouro, quando ensinava no templo; e ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.

21. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Eu me retiro; buscar-me- eis, e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir.

22. Então diziam os judeus: Será que ele vai suicidar-se, pois diz: Para onde eu vou, vós não podeis ir?

23. Disse-lhes ele: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.

24. Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.

25. Perguntavam-lhe então: Quem és tu? Respondeu-lhes Jesus: Exatamente o que venho dizendo que sou.

26. Muitas coisas tenho que dizer e julgar acerca de vós; mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele ouvi, isso falo ao mundo.

27. Eles não perceberam que lhes falava do Pai.

28. Prosseguiu, pois, Jesus: Quando tiverdes levantado o Filho do homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo.

29. E aquele que me enviou está comigo; não me tem deixado só; porque faço sempre o que é do seu agrado.

30. Falando ele estas coisas, muitos creram nele.

31. Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos;

32. e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

33. Responderam-lhe: Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: Sereis livres?

34. Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.

35. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre.

36. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

37. Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não encontra lugar em vós.

38. Eu falo do que vi junto de meu Pai; e vós fazeis o que também ouvistes de vosso pai.

39. Responderam-lhe: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão.

40. Mas agora procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade que de Deus ouvi; isso Abraão não fez.

41. Vós fazeis as obras de vosso pai. Replicaram-lhe eles: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus.

42. Respondeu-lhes Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, vós me amaríeis, porque eu saí e vim de Deus; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.

43. Por que não compreendeis a minha linguagem? é porque não podeis ouvir a minha palavra.

44. Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira.

45. Mas porque eu digo a verdade, não me credes.

46. Quem dentre vós me convence de pecado? Se digo a verdade, por que não me credes?

47. Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus.

48. Responderam-lhe os judeus: Não dizemos com razão que és samaritano, e que tens demônio?

49. Jesus respondeu: Eu não tenho demônio; antes honro a meu Pai, e vós me desonrais.

50. Eu não busco a minha glória; há quem a busque, e julgue.

51. Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.

52. Disseram-lhe os judeus: Agora sabemos que tens demônios. Abraão morreu, e também os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte!

53. Porventura és tu maior do que nosso pai Abraão, que morreu? Também os profetas morreram; quem pretendes tu ser?

54. Respondeu Jesus: Se eu me glorificar a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, do qual vós dizeis que é o vosso Deus;

55. e vós não o conheceis; mas eu o conheço; e se disser que não o conheço, serei mentiroso como vós; mas eu o conheço, e guardo a sua palavra.

56. Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; viu-o, e alegrou-se.

57. Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão?

58. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.

59. Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo.





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