O crime de George Alves abre debate sobre “falsos pastores”

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Ele tentou encobrir o crime, mas a vítimas foram encontradas.

George Alves está preso por queimar seu filho e seu enteado. Antes de ser o pastor da Igreja Batista Vida e Paz, foi cabeleireiro. A crueldade do crime é incrível e o mundo tem posto os olhos nele. O meio evangélico abreu de novo o antigo debate sobre as pessoas se tornando pastores sem estudos formais de teologia nem reconhecimento de organizações. Isto é normal, mas o pastor José Ernesto Spinola Contide diz que é necessária uma reflexão.

 “Sabemos que nossa Constituição assegura o livre exercício dos cultos religiosos e garante, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. O problema é: será que ao assegurar o livre exercício dos cultos religiosos, permite que qualquer pessoa abra uma porta, invente o nome de uma ‘igreja’ e se autodenomine pastor, bispo, apóstolo, ou sei lá o quê, para dirigir aquela igreja? A resposta, para mim, é não”, afirmou ele ao jornal Gazeta.

Contine afirma que ser pastor não teria de ser visto como uma profissão. Ele fez uma crítica forte sobre algumas igrejas que não tem ideias claras.

“É irresponsável uma denominação que ordena alguém pastor com apenas seis meses de conversão. Já está passando da hora das diversas denominações serem mais criteriosas e conscientes na escolha de seus pastores.”

Ele também diz que Igreja Batista teria de ser responsabilizada pelo crime por ter tido George como pastor. “Ele é uma pessoa monstruosa e desqualificada para exercer qualquer cargo eclesiástico. A denominação assumiu o risco de ordenar uma pessoa despreparada para a função. Se ela fosse responsabilizada, assim como um hospital também é responsabilizado pelo erro de um médico, tenho certeza de que as denominações teriam mais cuidado em ordenar qualquer um para pastor”, avalia.

O pastor Oscar Domingos de Moura, sendo hoje presidente da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus do Estado do Espírito Santo, diz que são sérias à beça as acusações que o pastor George responde.

“A categoria está estarrecida. A pessoa que tem coragem de fazer isso com duas criancinhas não é gente, é monstro. Não é qualquer um que pode ser pastor. O George entrou na igreja para enganar. Na verdade, ele é um falso pastor”, sentencia.

 “Esses criminosos costumam ter poder de persuasão. Já vi pessoas usando a função de pastor para praticar crimes. Usam da lábia e infelizmente é difícil detectar”, lamenta.

George Alves se declara inocente.

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