O Banco Central (BC) anunciou uma reorientação estratégica para o Drex, projeto de moeda digital brasileira. Em vez da proposta original de instrumento acessível ao cidadão, a primeira etapa do sistema – com lançamento previsto para 2026 – funcionará como plataforma de reconciliação de gravames, voltada exclusivamente ao mercado financeiro.
A mudança implica o abandono imediato da tecnologia blockchain (especificamente a rede Hyperledger Besu) e da tokenização, inicialmente consideradas pilares do projeto.
A decisão surgiu após dificuldades técnicas em conciliar privacidade e programabilidade na arquitetura blockchain. O novo modelo priorizará tecnologias tradicionais para criar um sistema integrado de verificação de ativos usados como garantia de crédito, conectando bancos, corretoras e cartórios.
Segundo Wagner Martin, VP da Veritran no Brasil, “ao unificar dados de gravames, a velocidade e o custo dos processos creditícios serão drasticamente melhorados”. Para usuários comuns, contudo, a fase inicial não trará alterações práticas – um contraste com as promessas originais de 2023, que incluíam inclusão financeira e pagamento de benefícios sociais.
O replanejamento ocorre num cenário global cauteloso: apenas Bahamas, Jamaica e Nigéria implementaram moedas digitais de varejo, enquanto 134 países mantêm projetos em pesquisa ou fase piloto. Como observa Sarah Uska, analista do Bitybank, “apenas os EUA baniram oficialmente moedas digitais de varejo”.
Paradoxalmente, a América Latina vive expansão acelerada de criptoativos, com crescimento de 42,5% no último ano (Chainalysis). O Brasil ocupa a 9ª posição mundial em adoção, impulsionado por proteção contra inflação (27,3% em 12 meses), pagamentos internacionais e desburocratização.
Reguladores defendem a opção como pragmática: garantir entrega funcional em 2026 antecipa ganhos de eficiência, ainda que distantes do cidadão. Blockchain e contratos inteligentes permanecem no horizonte de longo prazo, sem data definida.
O risco, segundo especialistas, é que o Drex perca relevância pública ao se tornar uma “moeda de bastidor”, enquanto soluções descentralizadas ganham espaço na economia real.
Implicação profética?
Para o pesquisador de escatologia Vinícius Lana, a criação da moeda brasileira 100% digital é um claro sinal do fim dos tempos. Em um artigo publicado recentemente por ele, o autor faz associação dessa ferramenta com o trecho de Apocalipse 13:17.
“A implementação do Drex vem em paralelo a discussões globais sobre um sistema de identidade digital único, já testado em iniciativas ligadas à ONU e ao G20. Ou seja, quem não estiver conforme às regras (políticas, ambientais, sanitárias, ideológicas) simplesmente não consegue comprar ou vender”, analisa.
“Essa identidade pode incluir biometria, histórico médico, status de vacinação, produção de carbono… Tudo isso seria pré-condição para “autorizar” seu dinheiro a funcionar”, completou o autor.
Lana concluiu: “Com o Drex, não é mais necessário um processo judicial complexo para bloquear seus recursos. Basta um algoritmo no sistema, e todo o seu dinheiro fica inacessível. Em um ambiente de censura, isso poderia ser usado contra vozes que se levantam contra o sistema.”